40 ANOS DE INSTITUTO DE ARTES

40 ANOS DE INSTITUTO DE ARTES
_40 Anos de Instituto de Artes
Não pretendo aqui relatar a história do Instituto de Artes da Unicamp. Esta teve sua descrição iniciada pelo saudoso Prof. Benedito Barbosa Pupo da música que faleceu sem tê-la concluído. Imagino que esta deva ser resgatada e atualizada como um relato acadêmico preciso e necessário de nossa instituição. Também não estarei relatando aqui uma ordem de importância dos professores nem seus respectivos ingressos no instituto.  Estarei na verdade me utilizando do tema para reflexão sobre uma trajetória da produção artística e dos ideais que nos norteavam. Este ano comemoramos 40 anos do início das atividades da arte na Universidade Estadual de Campinas. O que marcou este acontecimento como apresentação pública foi um evento realizado na Catedral Metropolitana de Campinas. Um tablado foi especialmente construído na nave principal para a apresentação do “Coral da Unicamp”, regido por Benito Juarez. Este evento histórico realizado em 16 de Novembro de 1971, marca a entrada de nossa universidade no campo das artes. Achei importante esta citação histórica, para salientar que o primeiro evento de arte realizado por nossa universidade foi um acontecimento público. Nossos artistas professores pioneiros fizeram um trabalho exemplar nesta direção que foi iniciado pela música com o objetivo de divulgar e estabelecer a produção artística do no Instituto de Artes em nossa universidade e na sociedade. Minha chegada a Unicamp como aluno do Curso de História foi em 1979 e como professor em 1983, com o Departamento de Artes Plásticas então recém criado pelo Prof. Bernardo Caro e entre estes dois momentos eu também havia participado da exposição de arte postal na universidade que era fruto do movimento artístico gerado pelo instituto. Nesta chegada não posso esquecer a acolhida que tivemos dos professores da música que estavam ávidos por formar um instituto nas diversas modalidades artísticas. Este objetivo estava conforme ao da criação Instituto de Artes idealizado pelo fundador de nossa universidade Zeferino Vaz. Previsto por lei desde 1963, mas que só iria tomar impulso com o Coordenador Geral dos Institutos, Professor Rogério Cerqueira Leite a partir de 1971 e com o primeiro vestibular para Música que foi realizado em 1979, nas modalidades de Composição e Regência. Conforme já descrevi nosso primeiro curso foi muito generoso para com a criação dos demais e vivi com eles a experiência dos anos 80 no Instituto de Artes. Nos anos 70 a experiências destes artistas se beneficiaram da proximidade uns com os outros e da influência que compartilharam atingindo a produção artística de cada um. Trabalhos interdisciplinares entre artistas professores eram constantes o que podemos ver nas obras de Almeida Prado, Raul do Valle, Fúlvia Gonçalves entre outros. Destes trabalhos eu também participei. Com o projeto Arte no Campus a arte ganhou um lugar em nossa universidade especialmente realizada pelos artistas do departamento de Artes Plásticas. Lembro-me ainda com detalhes do galpão e da primeira reunião como os chefes de departamento para a construção no terreno a nós designado desde a fundação. Os professores estavam entusiasmados com a possibilidade de ter o lugar definitivo e lembro aqui às famosas aulas dadas em baixo das árvores dos primeiros professores. Os departamentos e os cursos foram implantados pouco a pouco e em 1985 inauguramos com o Reitor José Aristodemo Pinotti a sede de nosso Instituto de Artes. Até o final dos anos 80 a interação entre os professores artistas era intensa, porém com instauração do Projeto Qualidade na Reitoria de Carlos Woght, em 1990, novas exigências para a contratação de docentes na Unicamp foram criadas e estabeleceram-se novas metas e parâmetros de qualificação dos professores já contratados. Este projeto importante na introdução dos artistas nos moldes acadêmicos não aconteceu sem deixar suas marcas. Nesta adequação também foi criada a carreira do professor artista como uma carreira secundária ao padrão dos professores da Unicamp. Na carreira “MS” que iniciava com o instrutor o professor só teria ascensão mediante a titulação acadêmica. Este processo disparou a necessidade de titulação e a corrida dos professores vindos de experiências não acadêmicas em buscá-los. Era justo uma vez que eram fundadores no Brasil da arte na universidade. Este processo foi interrompendo pouco a pouco o movimento artístico e o projeto de interdisciplinaridade com que iniciamos o Instituto de Artes. O mesmo se pode ver com o término melancólico de nosso programa de Pós-Graduação em Artes, onde o objetivo inicial ficou repartido em suas modalidades. A meu ver o Instituto perdeu ao especializar-se cada vez mais. Perdeu o que? – Perdeu o exercício de troca entre seus artistas e a comunidade. Perdeu seu projeto inicial. No formato atual a produção acadêmica aumentou como era esperado, mas a produção artística interdisciplinar entre os professores artistas diminuiu. A arte perdeu um pouco dentro da universidade na sua institucionalização. Não gostaria de ser somado aos que consideram a produção acadêmica artística inviável ou desnecessária. Porém deveríamos voltar a produzir juntos como no passado recuperar o exemplo dado por nossos fundadores. A produção deles nos demonstrou que era possível ser produtivo e coletivo inclusive no sentido da democratização dos conhecimentos artísticos para com a sociedade. Exemplos de relações entre: Arte, Universidade e Público.

Marco do Valle