ARTE BRASILEIRA 50 ANOS DO ACERVO DO MAC USP (1997)

ARTE BRASILEIRA 50 ANOS DO ACERVO DO MAC USP (1997)
_ARTE BRASILEIRA – 50 Anos de História no Acervo MAC USP
      No Brasil, a modernização artística do século XX começou com o movimento modernista, projeto estético em cujo bojo se encontrava o desejo de renovação da arte, associado ao da construção de uma consciência atualizada da cultura nacional. O modernismo desenvolveu seus fundamentos não só nas artes plásticas, mas também, e com significativa produção, na música e na literatura.
      O período histórico que atravessou são os anos 1920 e 1930, prolongando-se até meados da década seguinte, época esta já de sua consolidação. Tal período de consolidação respondeu, também, ao momento de afirmação das transformações político-econômicas e sociais, tempo de modernização da sociedade, cujo perfil agrário transformou-se no quadro histórico entre as guerras. Ocorreu o crescimento industrial, enquanto se imprimiram mudanças nos setores comercial e financeiro. Daí em diante, novos fatos, novos personagens e nova conjuntura histórico-social moveram os rumos do processo artístico.
      No final da década de quarenta, em 1947 e 1948, respectivamente, foram fundados: O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand; o Museu de Arte Moderna do Rio e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, cuja coleção é, em 1963, transferida para a Universidade de S.Paulo, dando origem ao Museu de Arte Contemporânea.
      Com esse espaço institucional voltado para as artes do século XX, constituído nos anos que fecham a década de 1940 e, logo em 1951, com a criação da Bienal de São Paulo, as artes plásticas ganharam novo ritmo de mudança e nova relação com inovações estéticas. Vale lembrar que o MAC USP foi, desde sua abertura, espaço significativo para incentivar as novas pesquisas artísticas e mostrar ao público os novos caminhos da arte.

IMPACTOS DA NOVA FIGURAÇÃO
      Na seqüência da mostra, encontra-se um conjunto de artistas que, ao longo dos anos 1960, atuaram e promoveram novas transformações nas artes, causando impactos no circuito das artes. Com sua produção, eles participaram da redefinição conceitual que se operava no entendimento da arte e da sua praxis. Adotaram novos modos de usar os materiais que dão suporte à idéia artística uma nova morfologia de invenção ao produzir a arte.
     Iniciativas como Propostas e Opinião, exposições de arte contemporânea, acompanhada de amplo debate crítico, realizadas em São Paulo e no Rio, em 1965 e 1966, mostraram que mudanças profundas estavam acontecendo. Assim foi também a experiência do movimento Rex: com criação da Rex Gallery & Sons e suas exposições e happening inaugurais, ao longo dos anos de 1966 e 1967, e seus valores estabelecidos.
      Vivia-se no país um período de tensão e contestação ao regime militar, instalado em 1964. Esta experiência teve, em alguns casos, repercussões diretas sobre a nova relação que a arte buscava com a realidade e o público. Foi rico o processo da nova dinâmica: começou com projetos como o de Lígia Clark (os “casulos”, os “bichos”), e o de Hélio Oiticica (bólides, objetos, parangolés), chegando-se à Declaração de Princípios da Vanguarda, em Janeiro de 1967, e à mostra Nova Objetividade, em abril do mesmo ano, no MAM do Rio de Janeiro.
      Uma grande parte das novas experiências apoiava-se nos fundamentos da pop art: vejam-se os trabalhos de Antonio Dias, José Roberto Aguilar, Marcelo Nitsche. Em outros exemplos, como o de Nelson Leirner, vale observar a construção do objeto com a experimentação estética de materiais, estratégias óticas e de repetição serial, para comunicar, com vigor, a idéia trabalhada pelo artista. As qualidades dos materiais contribuem para criar a poiesis nos objetos de Amélia Toledo, Sérgio Ferro, Donato Ferrari, Mario Cravo Neto. Em Waldemar Cordeiro, o foco da pesquisa dirige a reflexão para o problema arte/tecnologia. Experimentações no campo do novo realismo vê-se de Duke Lee (Arkadin d’y Saint Amer) e em Bin Kondo. Dentro de uma filosofia conceitual minimalista situam-se os trabalhos de Marco do Valle e Baravelli.
      Este período fértil da produção artística contemporânea pode ser observado através de artistas do acervo do MAC USP que integraram as mostras Jovem Arte Contemporânea, no período de 1967 a 1974. Um pouco desta experiência, que se destaca na exposição, é comentada, a seguir, por Elvira Vernaschi.

Lisbeth Rebollo Gonçalves
Curadora
Diretora do Mac USP