Elementor #476

MULTI-MULTI (1881)
_MULTI = MULTI
O Projeto é composto por um conjunto de peças. 
Cada peça pode seu uma frase, cada frase está colocada entre dois pontos.
      A peça é construída por elementos bi e tridimensionais lineares que resultam na determinação de um trabalho linear que tem como suporte o próprio chão onde é desenhado e montado.
      Este desenho e montagem foram construídos por relações geométricas e operações aritméticas (Tabuada) que funcionam como instrumento de construção do espaço de trabalho e como um exercício para o olho.
      A geometria desenha construindo um círculo, jogado como um laço que se apossa de uma determinada área precisa contida dentro deste.
      A peça é montada sobre uma reta, eixo imaginária e por dois pontos que ficam dispostos em simetria em relação a uma passadeira de gongólio pintada. Um círculo, um pedaço de reta e outro círculo são somados por operações aritméticas feitas através de mangueiras de borracha com encaixes de madeira. Estes encaixes ligam todas as partes resultando para o olho em uma peça única e homogênea. O observador se transporta de um círculo a outro passando pelos encaixes de madeira num percurso tranqüilo para o olho, mas que contraria o transporte efetivo de alguma coisa. Uma razão construtiva desconfia, subtrai acostumada com o significado como função do real.
      A peça funciona como um exercício aritmético para o olho do observador a partir da posição em que este se encontre no espaço em relação a ela.
      O trabalho, que foi pensado em planta, ou seja, visto de cima e no centro da simetria, quando é montado no chão faz com que mude o ponto de vista do observador que, ao olhar a peça de um dos lados extremos, não a vê proporcionalmente simétrica e sim deformada em perspectiva.
      O olho, nos extremos, soma; no centro, se divide; subtrai vendo cada parte simétrica da peça de cada vez.
      A redundância formal e a repetição do material diluem o próprio trabalho, subtraindo seu conteúdo.
      Um trabalho mal resolvido, inexato, em que o espaço físico construído do trabalho ao passar pelo filtro das limitações construtivas possíveis sofre alterações que somam junto à intenção inicial outras não previstas pelo projeto, de controle preciso impossível.
      O espaço do trabalho está dividido em duas partes: uma fixa e outra móvel. A peça ao ser montada no entorno-estrada soma a própria estrada para o espaço do trabalho. Esta não é a única possibilidade pensada pelo trabalho, mas sim sua parte móvel.

O que separa o espaço do trabalho do entorno?
      Parece simples quando penso que posso transportar a peça e deixar a estrada, ou até mesmo colocá-la em outro entorno. Neste caso este é que se somaria ao espaço do trabalho.
      Sobra aí uma questão: o que a peça em si transporta o que ela retém do próprio trabalho e que independe do espaço do entorno?

Marco do Valle